Crítica | NEPOBABY

★★★½☆

Quando Ciça finalmente se desmancha na própria introspecção no bloco final de NEPOBABY — que começa com intimamente forte ‘‘Apenas Cecília’’ e se conclui com o desabafo amargamente doce de ‘’Não Fale de Amor Comigo’’ —, não soa como algo que desvirtua o ouvinte da potente e crua escuta que a MC oferece durante os pequenos minutos que antecedem ao momento, mas puxa o público para mais afundo de sua persona firme e confiante.

Os sonhos, os medos, os amores, tudo se mistura com o bragadoccio e as ricas punchlines e fazem do rápido extended play uma escuta sublime e direta. Os instrumentais que bebem muito do boombap ainda oferecem elementos pontuais para que o álbum não soe como uma escuta uniforme. Os snares pesados, junto com os loops de metais oferecem um respiro e desviam o foco para onde é necessário: a voz característica e estridente de Ciça. 

Com um espaço para erro mínimo, NEPOBABY demonstra ser, em sua totalidade, uma grata surpresa e reforça que o primeiro projeto musical de Ciça é uma potente afirmação tanto do seu esforço como de seu talento inato. Há espaço para o papo reto, há espaço para os desabafos, há espaço para tudo em 20 minutos de uma ótima escuta, que atiça ainda mais a curiosidade dos caminhos que a artista pode desbravar daqui para frente. 

Selo: Mokado Records
Formato: EP
Gênero: Hip-Hop / Boombap