Crítica | UM NOVO DYA. (Melhores do Mês)

★★★★☆

As guitarras hipnóticas de ‘Beat It’ de Michael Jackson abrem o imaginário do ouvinte quando os primeiros segundos de ‘’Respire’’ começam. O instrumental alucinado é quase universal, e você fita o nome de PHL Noturnboy de qual pertence o álbum. Sim, um álbum. ‘’Como ele conseguiu isso?’’ Você se pergunta enquanto o reverb da faixa sobe em níveis estratosféricos, o autotune chega como uma ventania em seus ouvidos e os flows em tripleta começam a se acumular, criando uma tensão de entusiasmo urgente. E o sentimento se perdura, se perpetuando de sample em sample, de snares e bumbos mais agressivos que os anteriores, da transição entre o hardcore e o rage, dos flows claustrofóbicos aos melódicos. 

A atmosfera te puxa pelos braços e, na melhor tentativa desde a concepção de A Hora do Rock, seu famoso projeto de estreia, o artista mitiga em uma quase extinção dos seus tropeços anteriores. A condensação de um projeto inferior a 20 minutos e enclausurado a apenas oito faixas exemplifica uma curadoria muito mais assertiva e assimétrica em comparação com a vertente SWAGBOY, dois álbuns que apresentam características interessantes, mas que são engolidos pela excessividade de ideias e maneirismos característicos do gênero. 

UM NOVO DYA subverte maneirismos e vemos PHL tomar controle e consciência de tais e faz deles a seu favor, e, atrelado ao uso estelar de samples clássicos, como a tag de anúncio do lendário DJ DRAMA em ‘’Inferno de Dante’’, o coro feminino no início de “Nunca Vencerá” faz deste projeto algo único dentro de todo o centro de sua carreira. Os instrumentais não são mais lineares e a mixagem não se afunda dentre as batidas: tudo aqui soa como um esforço orgânico, pensado e calculado para a extração máxima da vertente do hard e da identidade característica do artista. O álbum respira e transpira as maiores qualidades de PHL, seja a versatilidade de seus flows, as one-liners que trazem uma reflexão um pouco mais apurada de seu íntimo e pensamentos, e os ad-libs gritantes e únicos, trazendo o melhor que o rapper poderia oferecer nos tempos de hoje. 

A individualidade encontra a qualidade. A disrupção não absorve o mundo criado pelo artista, e agora tudo entra em sincronia. UM NOVO DYA é um novo dia ensolarado e harmônico em uma carreira que estava a passos de uma erupção iminente com projetos que dividiram o público. Aqui não há dúvidas, é uma verdade coletiva de que PHL se tornou o nome mais interessante dentro do escopo do trap music. 

Selo: RealBlockkstar
Formato: LP
Gênero: Hip-Hop / Trap

 


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