
★★☆☆☆
A síntese da confusão rasa que Cabelinho constrói em ESCORPIÃO, seu quinto álbum de estúdio, pode ser encontrada na forma como o mesmo descreve o nascimento do seu filho (meu filho nem nasceu e já tá rico/tá na cara que ele parece comigo/Perdeu, abusado, já saiu da maternidade dentro de um carro bicho), escolhendo palavras desconexas entre si, frases soltas e que caminham distantes do que o artista vinha construindo desde o seu aclamado álbum solo, NÃO SOU SANTO MAS NÃO SOU BANDIDO, que misturava a melancolia consequência da fama e o erotismo clássico de suas letras. O álbum em questão foi a sua tentativa mais assertiva no equilíbrio, e, em um projeto colaborativo passável depois, o artista carioca parece ter esquecido o que lhe fez ser aclamado e volta com convenções nada agradáveis dentro do gênero.
A colaboração esperada com a superestrela Marina Sena é um MPB morno que se transforma em um trap de snares que são intencionalmente desconexos entre si. O estranhamento que isso causa é pontual e não construído, com a sensual voz da artista mineira sendo desperdiçada em uma amálgama de tentativas mal sucedidas. A participação da dupla sensação do trap, Alee & Klisman, também é mal aproveitada em um trap-soul que mais demonstra a falha dos três artistas no gênero, que pede por uma característica principal: vulnerabilidade. Mas o que os artistas entregam é uma reafirmação da masculinidade superficial, além do clássico erotismo, mesmo tendo uma produção no mínimo interessante.
Em um álbum em que o assunto central é evidenciar as características de uma pessoa com um certo signo astrológico, MC Cabelinho não sabe densificar o assunto ou entregar hits capazes de perdurar na grande massa. ESCORPIÃO é um álbum que não decide o que quer ser, que não possui uma identidade potente ou qualidade principal. Mesmo com alguns ótimos instrumentais e momentos de leve curiosidade, é um álbum passável e uma leve mancha na discografia emergente do “Little Hair”.
Selo: Bairro 13
Formato: LP
Gênero: Hip-Hop / Trap-Soul.


