
★★★½☆
Ouvir This Mirror Weighs a Ton quase dois meses depois do lançamento tem uma vantagem, porque o disco já não precisa disputar espaço com a novidade e pode ser julgado pelo que ficou. O oitavo álbum do Interpol saiu em 28 de agosto e é o primeiro em duas décadas fora da Matador, agora na Partisan, com produção de Andrew Wyatt, vocalista do Miike Snow e compositor de pop, e mixagem de Dave Fridmann, engenheiro de som. A troca de gravadora, a entrada de Wyatt e as primeiras notícias, que falavam em cordas, sopros e desenho de som experimental, sugeriram um disco com mais espaço do que o rock de guitarra que o Interpol faz há 20 anos. Já a capa, um lustre de câmeras de vigilância da artista Addie Wagenknecht, que faz parte do acervo do Whitney Museum, em Nova York, reforçava a ideia de um disco sobre observar e ser observado. O que se ouve, porém, é um disco que recua onde a promessa pedia avanço, e a tese que sustenta é que a banda parece ter voltado a se importar com o que faz, embora continue repetindo as fórmulas que domina há muito tempo.
A primeira coisa que se ouve é a banda tocando junta, sem a rigidez dos últimos discos, e a produção de Wyatt deixa cada instrumento no seu espaço, com a voz de Paul Banks à frente, as guitarras de Daniel Kessler com menos camadas do que nos últimos discos e o baixo de Brad Truax com a bateria de Sam Fogarino em segundo plano, atrás da voz e das guitarras. A primeira metade do álbum é a mais forte, e See Out Loud é o melhor exemplo, porque o riff puxa a música para a frente e o refrão cresce, sem precisar de um arranjo gigante. Iron City também funciona, com uma base de piano e um refrão que parece simples até você prestar atenção na letra. O problema começa na segunda metade do álbum, quando o disco perde tensão e algumas faixas parecem existir para completar os 53 minutos.
Mas a tração que o disco perde no som, as letras repõem em parte. O tema está na faixa-título que abre o disco, com Banks se olhando no espelho e não gostando do que vê, mas o disco fala disso de longe, atrás de imagens que só se deixam decifrar com esforço, e o desvio vira um jeito de não se comprometer com o que diz. A exceção chega tarde, em Enemy, o dueto com Juliet Seger-Banks, mulher dele, que transforma a canção em uma briga de amor e rancor, ganhando uma intimidade que nenhuma outra faixa tem. Ali, Banks canta para alguém específico em vez de um personagem, com a voz exposta, e é o único momento em que o disco se arrisca a dizer o que sente. O problema é que essa exposição aparece uma vez e some, já que o disco volta para a segurança da obliquidade.
No fim, This Mirror Weighs a Ton é um disco que vale a pena ouvir, mas não é o recomeço que o lançamento sugeria. O Interpol soa mais confortável do que em anos anteriores, e isso é uma conquista para uma banda que já parecia cumprir tabela, mas o conforto também explica o porquê de o disco não deixar uma marca maior. See Out Loud, Iron City e Enemy justificam a escuta, e o resto do álbum funciona como complemento, sem exigir muito do ouvinte. Ouvido quase dois meses depois do lançamento, ele confirma que o Interpol ainda tem o que dizer, embora diga isso dentro de um perímetro que conhece bem.
Selo: Partisan Records
Formato: LP
Gênero: Rock, Post-punk


