Crítica | Miss Flower

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★★★

Miss Flower carrega um charme distinto com seu pop discreto, influenciado por estilos como trip hop, folk, música eletrônica e até mesmo reggae. A história por trás do disco está relacionada a um evento da vida pessoal de Emilíana Torrini: há alguns anos, ela visitou uma amiga para apoiá-la no luto pelo falecimento de sua mãe.

Durante esse período, Torrini e seus amigos encontraram uma coleção de cartas escritas por Geraldine Flower, a mãe falecida de sua amiga. A artista ficou fascinada pela sua história, assim inspirando seu novo projeto musical; cada canção de “Miss Flower” é baseada em uma das cartas lidas e pelas pessoas descobertas nelas, algumas das quais ela nunca tinha ouvido falar antes.


Geraldine Flower desbravou a vida como uma verdadeira aventureira em episódios altamente emocionantes. Segundo Emilíana, era uma figura enigmática, algo perceptível nas canções do disco. A faixa de abertura, por exemplo, revela-se intrigante através da maneira com que a artista utiliza a palavra falada, criando um ar místico que se alinha com a personalidade da personagem explorada.


A suavidade com que a artista canta torna-se sensual pelo seu jeito reservado de interpretar suas composições. Destacam-se especialmente as canções “Let’s Keep Dancing”, com batidas leves de reggae, e “Love Poem”, acompanhada por um teclado marcante e hipnotizante.


O novo trabalho de Emiliana Torrini é emocionante para quem se interessa por histórias inspiradoras sobre a produção artística — é um grande destaque. Ressalta-se ainda a importância que a memória tem no álbum, sendo profundamente comovente a forma como as lembranças são ressignificadas. Espero que, algum dia, a história de Miss Flower ganhe uma adaptação para ser vista nas telas de cinema.


Selo: Grönland

Formato: LP

Gênero: Pop / Art Pop


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