Entre Nós | CONFESSIONS II

 


ENTRE NÓS: CONFESSIONS II

O “Entre Nós” é um quadro que surgiu no desejo de trazer uma discussão entre os redatores a respeito de determinado lançamento em alta, principalmente álbuns de música pop que não receberiam necessariamente uma crítica em seu lançamento (por não serem o foco do site), mas que entendemos que possam gerar algum tipo de discussão interessante. Leia abaixo os comentários da nossa redação:

Marcus Vinícius
Quando ela anunciou um “Confessions 2”, eu fiquei apreensivo por logo imaginar uma reciclagem da sonoridade revival de disco cansada que resultaria em algo divertido, mas dificilmente memorável. No entanto, o que recebi foi um dos álbuns mais introspectivos dela, que usa o motif de celebração da pista de dança como local sacro num nível ainda mais aprofundado. Tem muitas referências ali a outros trabalhos dela, mas nada soa requentado e sim como um capítulo realmente novo, onde ela reflete sobre sua própria carreira, seus amigos e seu amor sobre a música dance como expressão máxima. Além de tudo, apresenta uma exploração sonora realmente interessante que costura tudo homogeneamente, mas sem perder a natureza eclética.

Kelvin Cruz
Sabe quando você fecha os olhos e consegue enxergar uma vida paralela? Aqui você é transportado para uma paisagem meio vice-ultra-neon que tem toda uma estética futurista de clubes submersos, em que a Madonna empresta o seu típico olhar sensual para o álbum. Você é fitado por ela dentro dessa grande balada enevoada de sentimentos, onde existe uma liberdade nas composições que faz tudo evoluir naturalmente. Os arranjos e baterias eletrônicas se enamoram com teclas e cordas orgânicas, que ornamentam uma noite onde o amor é convidativo, dançar é obrigatório, as drogas opcionais e o amanhecer um empecilho. É um daqueles discos em que dançar é sine qua non para entender todas as potências. A presença da percussão sincopada é quase uma ode ao passado das dance houses britânicas, ao mesmo tempo o projeto vislumbra o futuro nessas cores fortes, atmosfera quente e dançante. O amor é o tema vivo de CONFESSIONS II, que ao longo de pouco mais de uma hora, manifesta tantas vertentes de uma noite conturbada que parece, me perdoem a sinceridade, só uma boa sintética com a música certa pode te proporcionar. Não sei dizer qual sintética seria a certa; a música, essa fica evidente. O disco funciona por ser coeso, mesmo sendo rico em nuances da eletrônica atual, sentimental ao tratar de tantas versões do que o amor pode ser, dinâmico nas apresentações, tudo isso sem deixar de ser um convite ao movimento que a noite pede. Em síntese, aqui Madonna diz com todas as letras e muito reverb: “Dance, dance disco clubber.”

Granado
Esse álbum acaba se tornando histórico por resgatar um pouco da credibilidade artística que a Madonna deixou de ter neste século, por se perder entre referências imediatas do que estava fazendo sucesso e tentar apostar em novos hits. Fugindo um pouco dessa lógica e apresentando um trabalho completamente coeso e dentro de uma linha que já funcionou muito no passado, a rainha do pop quebra barreiras de idade no que diz respeito às pistas de dança. Todo o groove e dance envolvidos no álbum conversam ainda com tendências mais atuais da música pop, como o downtempo muito bem feito por ela no passado, e agora, de forma mais inédita em sua carreira, o drum and bass. A verdade é que fica difícil comparar a sequência com a obra original uma vez que temos na primogênita momentos tão altos de sua carreira, como “Hung Up” e “Sorry”, sem falar da implacável “Get Togheter”, mas olhando mais de longe, o CONFESSIONS II se destaca em construção de uma experiência nonstop com maior consistência que o primeiro. Para além de tudo o que se pode falar sobre esse álbum, vale lembrar que é um álbum chiquérrimo de house e dance pop, lançado por um dos maiores nomes da música mundial no auge de seus 16 anos.


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